Vem aí… XCOM: Board Game

XCOM - Galápagos

UPDATE: O jogo foi lançado e eu joguei 10 partidas num único final de semana, pra criar a maior resenha de XCOM Board Game do Brasil. Então clique aqui para dar uma olhada na resenha completa.

O ano era 1998. Enquanto todo mundo achava que Quake era uma das maravilhas do mundo, eu estava ocupado defendendo a Terra de uma invasão alienígena. Mal sabia eu que minha vida seria marcada para sempre por um joguinho chamado UFO: Enemy Unknown.

Tudo começou quando um amigo me entregou um CD com um jogo. Não custa nada dar uma chance, ainda mais de graça, então fui lá e instalei aquele jogo esquisito. Por meses, meus amigos nunca mais me viram aparecer pra brincar de pique ou andar de bicicleta. Meu objetivo agora era outro.

Todos os meus dias eu saía do colégio e ia pra casa gerenciar o X-COM, uma organização mundial com os melhores soldados que a Terra tinha a oferecer, e lutar contra alienígenas monstruosos no meio de cidades, fazendas e desertos.

Eu nunca tinha visto um jogo de PC misturar gerenciamento da base (finanças, pesquisa, etc) com tática de combate. Eu tinha que fazer as duas coisas e isso era mágico.

Tão mágico que nunca parei de jogar apesar de um detalhe crucial. Eu perdia. Sempre perdia. Esses aliens eram tão mais fortes e tinham equipamentos tão bons que eles sempre acabavam comigo. O jogo era tenso. E eu começava tudo de novo.

Este jogo me prendeu de tal forma que eu ainda estava jogando sem parar no ano seguinte. Na verdade, eu continuei jogando este jogo um pouco todos os anos até 2012, quando saiu um remake/reboot chamado XCOM (sem o hífen no nome). Aí meu vício mudou pra essa versão mais nova.

E eu não venci uma única vez durante esse período de mais de uma década.

Você pode estar se perguntando por que toda essa introdução. Isso é pra você entender como meu coração parou e acelerou ao mesmo tempo quando anunciaram o lançamento de um jogo de tabuleiro baseado em XCOM, com um nome bem direto…

XCOM - Galápagos

XCOM: Board Game

O jogo foi lançado pela Fantasy Flight Games, fabricante de muitos jogos da minha coleção.

No começo, fiquei surpreso por não ser um jogo de combate de miniaturas sobre um tabuleiro quadriculado. Afinal, eu passava metade do jogo de PC combatendo aliens.

Mas parando pra pensar, foi excelente terem escolhido focar na outra metade. Existem muitos jogos de combate de miniaturas, mas quase nenhum jogo de gerenciar uma organização multinacional de combate a aliens enquanto a tensão e o pânico aumentam ao redor do globo.

Em XCOM: Board Game você reúne um grupo de quatro pessoas para uma partida cooperativa onde cada um é o cabeça de um departamento diferente da organização.

Um dos jogadores é o Capitão, responsável por gerenciar os soldados nas diferentes frentes de batalha. Este é o principal responsável pela vitória do grupo, já que é ele quem vai derrotar os malditos invasores. O Capitão vai enviar soldados em missões, mas também vai defender a base e até atacar a base inimiga.

Outro jogador é o Chefe Científico, responsável por definir as pesquisas e liderar a equipe de cientistas que vai trabalhar nelas. O que a equipe dele desenvolve vai beneficiar todos os outros jogadores pelo resto da partida.

Um dos jogadores é o Comandante. Ele é o chefão da organização, e vai ter que enviar naves de interceptação para outros continentes. Mas o principal é que o Comandante é quem precisa gerenciar o orçamento de todo o XCOM e mandar os outros jogadores pararem de gastar tanto com cientistas, soldados, satélites, etc. Eu já volto nesse assunto.

O último dos jogadores é o Chefe de Operações. Ele faz a comunicação entre a equipe que monitora a Terra e os outros jogadores. E sabe como ela faz isso? Ele fica de olho no aplicativo do jogo.

XCOM: Board Game

Imagem de divulgação da Galápagos Jogos

Aplicativo?

Sim. XCOM: Board Game é um jogo de tabuleiro diferente dos outros, porque usa um aplicativo. O jogo não funciona sem ele.

Mas não precisa se preocupar. Esse aplicativo roda em telefones e tablets. Android ou iPhone. Roda em PC. E como última opção tem uma versão na web, que dá pra acessar até usando uma smart TV.

O aplicativo vai tomar todas as decisões dos aliens. Mas o principal é que ele é a única fonte de informação e instruções para todos os jogadores, mas só o Chefe de Operações pode olhar pra tela com o aplicativo rodando.

Vai aparecer na tela uma ordem pro Chefe Científico escolher algo pra pesquisar, e cabe ao Chefe de Operações repassar essa informação. O mesmo quando mandar o Capitão enviar soldados, ou o Comandante enviar interceptors pra algum continente.

Mas sabe o que torna tudo difícil? O tempo. O aplicativo não vai apenas dizer “escolha uma pesquisa”.

Ele vai dizer “escolha uma pesquisa, você tem 15 segundos”.

Quando o tempo acaba, você não pode mais fazer a ação. Mas você também nem pode ver o cronômetro. Só quem vê é o Chefe de Operações. E você pode ter certeza que ele vai estar gritando no seu ouvido que só faltam 5 segundos enquanto você tenta ler as cartas e escolher uma delas pra pesquisar, já que todos os outros dependem de você.

XCOM: Board Game

Já está tenso?

Se não estiver, ainda temos que falar do orçamento. Ele é apertado. Sério, não dá pra fazer tudo que você gostaria.

Cada soldado enviado pra missão custa dinheiro. Cada interceptor enviado pra proteger continente, cada cientista colocado em pesquisa, cada satélite, todos eles gastam dinheiro. Mas o Comandante só paga esse dinheiro no final da rodada, depois de todo mundo ter tomado suas decisões. E sabe o que acontece se a conta não fechar?

Cada crédito que os jogadores tiverem gastado além do orçamento vai aumentar o pânico nos continentes. Quando o pânico aumenta demais, o continente abandona o projeto XCOM, e aí sabe o que acontece? É menos orçamento para as próximas rodadas até o final do jogo.

Agora vamos voltar pro exemplo que dei do Chefe Científico. Lembra da tensão de ler cartas e decidir com um tempo de 15 segundos? Então… além da pressão do tempo, ele tem que lembrar que cada cientista que ele colocar vai custar dinheiro. E o Comandante tem que estar se preparando pra sua própria jogada, enquanto fica de olho no cientista pra ele não gastar demais.

Aí agora tem o Chefe de Operações gritando que faltam 5 segundos pra acabar o tempo, o Comandante gritando que só cabem mais 3 créditos de gastos no orçamento, se é que ele está fazendo as contas direito, e você precisa decidir quantos cientistas vai colocar pra pesquisar aquela tecnologia super importante pro futuro da organização.

Boa sorte.

O mesmo tipo de pressão vai para todos os outros jogadores. Pensar rápido, lembrar do orçamento, tomar decisões. Você não tem soldados suficientes pra todas as missões, não tem interceptors pra todos os continentes, não tem satélites pra proteger o espaço. E aí tem que resolver as coisas porque na rodada que vem tem mais.

E agora, está tenso?

XCOM: Board Game

Imagem de divulgação da Galápagos Jogos

Lançamento no Brasil

Há quatro meses eu abri meu cartão de crédito e comprei a versão americana de XCOM. Mas o destino não queria que eu jogasse ainda. A encomenda se extraviou e, em setembro, devolveram meu dinheiro.

E quando eu ia comprar novamente lá fora, acontece algo que eu nunca imaginei: Galápagos anuncia o lançamento de XCOM no Brasil! Em português, pra eu poder jogar com todo mundo!

Toma meu dinheiro!

XCOM: Board Game vai ser lançado dia 5 de outubro de 2015 (daqui a poucos dias) pela Galápagos, mas ele já está disponível na pré-venda! Você pode comprar aqui.

Ele aceita de 1 a 4 jogadores, mas parece ser mais legal com 4. Quando tem menos que isso, algum jogador assume mais de uma função. Se jogar sozinho, você assume todas as 4 funções de liderança do XCOM.

Eu vou reservar qualquer julgamento mais profundo até ter o jogo em mãos e ter jogado pelo menos duas partidas. Mas já posso dizer que o jogo parece ser difícil como o UFO era. Parece me deixar tão tenso quanto eu ficava, jogando de noite no meu quarto tentando mais uma vez salvar a Terra dessa ameaça tão superior.

Eu já comprei o jogo na pré-venda. Assim que chegar pode ter certeza que vai ter uma resenha completa aqui no site. Espero passar esse dia das crianças voltando aos meus quinze anos, com toda a graça e desgraça da nostalgia da infância.

E espero falhar muitas e muitas vezes.

E aí… está tenso?

 

PS: Se quiser se distrair até minha resenha do jogo, você pode ler meus outros textos populares sobre jogos de tabuleiro, como os melhores jogos para dois jogadores ou melhores jogos para grupos grandes. Se é mais curioso, talvez os benefícios dos jogos de acordo com a ciência.

Be the first to comment

Deixe uma resposta